Hosted by OSOS , contributed by serpasonia on 7 March 2020
O projeto em análise visou a identificação de um problema no âmbito da comunidade educativa de Vila Franca do Campo – S. Miguel – Açores. Neste contexto, os alunos de duas turmas (10.º B e 10.º D) foram os principais agentes do projeto, o qual foi desenvolvido, nas disciplinas de Português e de Geografia, em quatro fases distintas, que corresponderam, respetivamente, à identificação do problema e consciencialização do mesmo, à apresentação de estratégias de resolução, à criação de formas de atuação/intervenção e, ainda, à partilha do projeto, possibilitando a divulgação e implementação do mesmo na comunidade educativa.
O projeto é orientado pelas docentes de Português ( Graça Amaral) e de Geografia A ( Sónia Serpa das turmas do 10.º B e D da EBS Armando Côrtes-Rodrigues.
Sentir
No âmbito da realização do Projeto IDIVERSE, as turmas 10.º B e 10.º D da EBS Armando Cortês-Rodrigues passaram por uma fase inicial, que constou na identificação de um problema e consciencialização do mesmo.
Assim, inicialmente, as docentes de Português e de Geografia propuseram aos alunos que trouxessem objetos que representassem a maneira como os mesmos ocupavam os tempos livres. Para isso, foram feitos grupos e pedimos aos alunos que justificassem suas escolhas, tendo os mesmos concluído que as atividades que predominavam estavam relacionadas com o desporto e a tecnologia.

De seguida, as docentes questionaram os alunos acerca de outras atividades que gostariam de realizar nos tempos livres, sendo a prática do desporto a mais indicada.

Assim, questionámos os alunos sobre uma atividade que achamos importante e que não tinha sido mencionada. Após algum tempo, todos os grupos chegaram à conclusão de que a atividade em falta era a leitura.
Seguidamente, questionámos os alunos sobre a importância da leitura no seu dia a dia. De entre todas as ideias dos alunos, as que sobressaíram na justificação de tal questão foram as seguintes:
- a leitura é muito importante no dia-a-dia de cada cidadão, embora tenha vindo a perder a sua relevância à medida que a tecnologia avança;
- é através da leitura que podemos adquirir um vocabulário mais extenso, obter um raciocínio mais rápido e uma maior capacidade de concentração;
- pode ainda ser uma maneira de manter o leitor distraído dos seus problemas e focar-se apenas na história do livro;
- saber ler é uma das componentes indispensáveis à vida numa sociedade em permanente desenvolvimento;
- não é suficiente saber ler, é preciso aprender a ler para compreender, ampliar conhecimentos, desenvolver o vocabulário assim como a escrita.
Ler é viajar, é imaginar, é voar por caminhos infinitos.
“Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido”

Ruy Belo
Identificado o problema em questão, os alunos sugeriram a realização de inquéritos, pois seria uma forma muito mais eficaz de recolha de informação sobre os hábitos de leitura da população do concelho de Vila Franca Do Campo, tendo os alunos do 10.º B elaborado o inquérito na disciplina de Português.

Os alunos da turma do 10.º D fizeram o tratamento dos inquéritos, tendo sido 43 o número de pessoas que respondeu ao inquérito, o qual foi aplicado pelos alunos das duas turmas aos seus familiares.
Na disciplina de Geografia, foi elaborado um documento que juntou a informação de todos os inquéritos. A turma foi separada em quatro grupos, tendo cada grupo ficado com 10/11 inquéritos.
Da análise dos inquéritos foram retiradas as seguintes informações:
- as idades das pessoas que preencheram os inquéritos variam entre os 15-65 anos;
- as habilitações da maioria das pessoas são o 3.º ciclo e o ensino secundário;
- a maioria dos inquiridos não mostra hábitos de leitura; apenas 17 de 43 inquiridos dizem ter hábitos de leitura; essas pessoas costumam ler mais romances, jornais e revistas; dizem que praticam a leitura em busca de mais conhecimento ou mesmo por lazer;
- a maior parte dos inquiridos revelou que adquiriu hábitos de leitura na infância e mais e por influência dos professores, pais ou então por sua própria iniciativa;
- apesar de muitos dos inquiridos não mostrarem hábitos de leitura, 41 dos inquiridos admitem que é importante ler e que é atreves da leitura que temos mais conhecimentos.
Imaginar
Que estratégias poderiam ser implementadas para resolver a falta de hábitos de leitura no concelho de Vila Franca do Campo?
Nesta fase do trabalho, as docentes de Português e Geografia questionaram os alunos acerca de medidas que poderiam resolver o problema da falta de hábitos de leitura no concelho de Vila Franca do campo.
Esta parte do trabalho foi realizada já depois da escola ter encerrado devido à situação de contingência relativa à COVID 19.
Nós, docentes, contactámos com os alunos das duas turmas através dos seus mails pessoais. Pedimos aos alunos que apresentassem soluções para resolver o problema em questão. Pois, como já foi referido anteriormente, verificámos que, no concelho de Vila Franca do Campo, existe a falta de hábitos de leitura por parte dos jovens e dos adultos, o que é preocupante, pois todos nós sabemos a importância da leitura, por isso devemos procurar desenvolver o gosto pela leitura, incentivando hábitos em toda a comunidade do concelho.
Os alunos responderam via mail apresentando várias sugestões que seguem abaixo:
1. Incentivar as crianças a ler desde a pré-primária, através do “dia da leitura,” “o dia do conto, “ou mesmo através de peças de teatro ou filmes baseados em livros infantis;
2. Incentivar os pais a frequentar bibliotecas com os seus filhos;
3. Ter por hábito oferecer livros às crianças e jovens;
4. Fazer leitura em sala de aula, que integre mais do que uma disciplina, por forma a despertar o interesse;
5. Entregar um livro para leitura aos alunos, e depois, levá-los a assistir um filme baseado nesse mesmo livro, para que todos manifestem a sua opinião sobre o filme e se o mesmo corresponde ao que haviam imaginado quando leram o livro;
6. Disponibilizar informação sobre os diferentes géneros literários;
7. Criar um espaço de leitura confortável e que dê “asas à imaginação”;
8. Criar um desafio: Ler um determinado número de páginas por dia de um livro, ou um determinado número de livros por ano;
9. É importante que os pais desde cedo criem o hábito de ler um livro aos filhos;
10. Criar um grupo de voluntários, para leitura por exemplo, em centros de dia, lares, ATL´S;
11. Criar um grupo de leitura na escola;
12. Levar os alunos a assistir a peças de teatro, baseadas em obras literárias, como, por exemplo, de Gil Vicente;
13. Ler um livro através de uma plataforma digital;
14. Criar um “banco de troca” de livros;
15. Promover feiras de livros;
16. Promover exposições com diferentes tipos de livros;
17. Realizar momentos de leitura ao ar livre com alunos do pré-escolar até ao secundário;
18. Criar comunidades e clubes de leitura online;
19. Convidar os Encarregados de Educação a assistir a aulas de leitura dos seus educandos;
20. Aconselhar os pais a diminuir as horas de jogos e de visionamento televisivo a favor da leitura;
21. A Biblioteca Pública deveria promover ações de sensibilização para a importância da leitura;
22. Criar minibibliotecas, como as que já existem nas praias, mas com uma maior variedade de livros, ou então acrescentar mais livros às já existentes;
23. Realizar, na biblioteca escolar, sessões, quinzenais, de leitura de histórias destinadas aos alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo, fazendo assim com que as crianças fiquem mais interessadas pela leitura e ganhem o hábito de ler;
24. Realizar, na escola, encontros entre alunos de diferentes níveis, por exemplo, alunos do 5.º e do 9.º anos, para poderem partilhar as histórias que conheceram através dos livros, lendo alguns excertos, falando sobre os personagens e o enredo Com isso, aqueles que não gostam de ler poderão ficar interessados em ler as histórias que ouviram ou outras;
25. Organizar uma «tarde de chá» na escola, convidando um grupo de idosos para ouvirem uma história e também para partilharem as histórias que já leram;
26. Em família, falar sobre os livros que foram adaptados para o cinema, analisando as principais diferenças;
27. Os pais poderão oferecer aos filhos os livros que marcaram a sua infância para que possam partilhar a sua experiência enquanto leitores;
28. Organizar na escola e na comunidade concursos de leitura, premiando os melhores leitores (os que leem mais e melhor conhecem as obras lidas);
29. Promover palestras na escola sobre a importância da leitura e análise de obras literárias.
Nesta fase, os alunos concluíram que existem diferentes formas de incentivar uma pessoa a ler, não só porque ler desenvolve a compreensão e faz-nos adquirir conhecimento, nem tão pouco porque permite desenvolver a escrita ou desenvolver o vocabulário.
Ler é uma viagem no tempo, é sonhar acordado, ler é imaginar e sentir as personagens de um livro, é saber como são as montanhas, as flores, um pequeno riacho. De que outro modo podemos descrever o que a leitura pode representar nas nossas vidas?

Criar
De todas as soluções apresentadas, os alunos optaram pela atividade que consiste em os pais partilharem com os filhos os livros que marcaram a sua infância, não só porque o incentivo à leitura deverá começar na família, mas também porque seria mais fácil concretizar esta atividade a partir das suas casas, pois, na sequência do surto da Covid-19, não podemos realizar atividades na escola nem na comunidade.
Novamente, as docentes de Geografia A e de Português pediram aos alunos via mail que realizassem esta atividade, enviando um registo da mesma.
Assim, passamos a apresentar alguns dos momentos de partilha de livros, ilustrados por imagens e registo das opiniões dos pais e filhos sobre as obras selecionadas. Apenas alguns alunos tiveram a oportunidade de participar nesta fase do projeto, visto que a leitura não fez parte da infância e juventude da maioria das famílias.
Um livro não carrega só histórias,

mas também memórias de três gerações.
Sabrina Moniz

«Entre vários livros da infância da minha mãe, a colecção da Anita foi-me oferecida pela própria. Guardou-os para um dia que tivesse uma filha, para que esta também pudesse ler os livros de que gostava e a faziam sonhar.
A colecção é grande, trouxe alguns dos seus favoritos para este trabalho e contou-me que "Anita na cozinha" é o seu preferido porque, com a sua mãe, fez a receita de crepes deste livro, é como se fosse o seu primeiro livro de culinária. Curiosamente, gostamos de cozinhar e ambas, para além de vários livros, adoramos livros de diferentes tipos e foi neles que desenvolvi o gosto pela leitura, ajudando-me também a cozinhar, sendo eu a ler as receitas.» (Cristina Braga)

«O meu pai disse que na sua adolescência leu este livro, porque lhe foi sugerido por um colega. Gostou do livro, pois conta a história de uma família pobre que passava por muitas dificuldades até que um dia encontra uma pérola. Passaram por várias situações, mas mantiveram-se sempre juntos. A história transmite os valores da união e da solidariedade. Pelo que o meu pai disse sobre o livro, penso que durante as férias irei lê-lo.»

«A minha mãe lia na sua infância este tipo de livro. Pertencia a uma coleção chamada «Patrícia». Patrícia é o nome da personagem principal, que é uma jovem muito inteligente, que ajuda a descobrir crimes e enigmas na sua cidade e em locais para onde ia de férias. Penso que, também, será um livro que gostaria de ler.»

«Os meus pais, quando estavam na escola, leram alguns capítulos deste livro de Eça de Queirós. Leram porque os seus professores mandaram, não foi por iniciativa própria. O que se lembram é que é um livro com muita descrição de espaços e de personagens. Pelo que eles me disseram, acho que não o leria por iniciativa minha. Só o lia se algum professor dissesse que era necessário.» (Beatriz Pereira)

«Este livro resumidamente fala sobre o sucesso de antigas civilizações que não se deveram a vitórias pelo seu poder físico, mas sim pelo seu poder intelectual ou devido a certas informações. Também neste livro o autor deixa muito claro que este valoriza mais os fatores intelectuais, morais e circunstanciais do que os fatores físicos de poder militar, e que este defende que um planeamento estratégico baseado em informações e fidedigno acerca do inimigo têm um papel muito eficaz na solução militar.»
«De acordo com o meu pai, ele gostou muito do livro porque este retrata alguns sucessos de antigas civilizações dando ênfase ao poder do conhecimento em detrimento do poder físico, também este teve como conclusões que as guerras são uma questão vital para os estados e que para tomar-se decisões assertivas é preciso ter acesso ao conhecimento como arma de poder em momentos decisivos. No final das contas, o meu pai conseguiu chegar à conclusão através do livro que a mensagem que este queria passar era que o conhecimento é poder.» (Vasco Custódio)

Pai: “Este livro fala sobre a história da luta do senhor Chico Mendes pela floresta Amazónia, ele fez de tudo para a proteger mas acabou sendo assassinado, e isso marcou-me um bocado. Gostei deste livro porque sou a favor de que devemos preservar o meio ambiente, proteger o que é nosso, pois só temos este planeta. Quis apresentar-te este livro porque também espero que lutes sempre por aquilo que acreditas e achas mais correto, tal como este senhor fez.”

«Pelo que o meu pai falou, achei um livro interessante e fiquei com vontade de o ler. Concordo com ele, pois devemos todos proteger o que é nosso tal como o senhor Chico fez. Acho que estes momentos de partilha de histórias entre pais e filhos são bastante importantes, pois ficamos a conhecer uma parte dos nossos pais que talvez não tínhamos conhecimento e faz-nos passar um bom momento com eles!» (Ana Costa)
«A coleção “OS CINCO” é constituída por vários livros em que retratam aventuras de um grupo de quatro jovens e um cão. A este grupo, para todo o lado que ia, acontecia-lhes qualquer coisa que originava uma aventura, na qual acabariam sempre por sair por cima (ajudar alguém, salvar um amigo, ajudar a apanhar um criminoso ou, simplesmente, encontrar um tesouro) mas não sem antes se meterem em apuros!

«Segundo o que o meu pai falou sobre esses livros, achei-os bastante cativantes pela sua história e pelo mistério que há dentro do livro.» (Rui Moutinho)
A bicicleta da Miffy
- Este livro é importante porque foi oferecido por uma professora.
- Escolhemos este livro porque achamos interessante, pois a Miffy sonhava em ter uma bicicleta para fazer muitas aventuras com ela.
(Bianca Correia)
