Hosted by OSOS , contributed by luiseisabel on 7 March 2020
Neste projeto, os alunos irão tornar-se detetives, pesquisando os "suspeitos de uso indevido" que poluem as suas praias. Podem ser plásticos, microplásticos, beatas de cigarro, garrafas de vidro, etc.
Através de uma série de exercícios propostos, os alunos aprenderão sobre poluição plástica e poluição em geral, consumo sustentável e lutarão para aumentar a conscientização na sua comunidade, a fim de proteger a fauna e flora marinha local, bem como sua própria saúde e vida.
Esta atividade foi criada por Luís Veríssimo e Isabel Santos, adptada de ABAE - Associação Bandeira Azul da Europa no âmbito de Islands Diversity of Science Education (2017-1-PT01-KA201-035919).

Introdução ao problema

O lixo marinho e, em particular, a acumulação de plástico, tornou-se uma questão ambiental global e uma preocupação crescente desde o crescimento da indústria dos plásticos em meados da década de 1950.
A quantidade de resíduos plásticos e microplásticos no oceano cresceu rapidamente nos últimos anos, o que constitui um risco para a saúde humana.
Está demonstrado que a concentração de químicos tóxicos pode ser aumentada através da cadeia alimentar. Para além da sua ampla e adversa gama de impactos, tanto a nível da fauna e flora marinhas como a nível social, económico e da saúde, os resíduos marinhos também podem ter impactos negativos substanciais a nível socioeconómico. Podem causar perdas económicas à pesca comercial e ao transporte marítimo, bem como às indústrias recreativas e de turismo.
Existem fontes primárias e secundárias de microplásticos. A distinção baseia-se no facto de as partículas terem sido originalmente fabricadas para esse tamanho (primárias) ou de terem resultado da decomposição de artigos maiores (secundárias).
De facto, alguns plásticos são intencionalmente concebidos para serem pequenos. Chamam-se microesferas e são usados em muitos produtos de saúde e beleza. Passam inalterados através dos cursos de água para o oceano. As estações de tratamento de águas residuais não estão concebidas para filtrar as microesferas e, portanto, elas causam uma série de impactos no ambiente marinho, uma vez que são impossíveis de remover.
Através de vários estudos sobre o assunto, hoje sabemos globalmente que:
- A cada ano, entre 1,15 e 2,41 milhões de toneladas de lixo chegam ao oceano através dos rios.
- Até 80% da poluição do ambiente marinho é de origem terrestre.
- Cerca de 50% do plástico é de aplicação descartável, utilizado apenas uma vez.
- Estima-se que anualmente cerca de 8 milhões de toneladas de plástico vão parar ao oceano.
- As beatas de cigarro são as que aparecem em maior número nas limpezas das praias
- Um milhão de aves e 100.000 mamíferos marinhos morrem todos os anos devido à poluição por plástico.
- Estima-se que apenas 8% dos resíduos plásticos são maiores que uma tampa de garrafa.
Objetivos de aprendizagem
Através da estrutura do problema do lixo marinho, os alunos trabalharão as questões relacionadas com as suas causas e consequências na contaminação dos ecossistemas marinhos, aprendendo sobre o consumo sustentável e a gestão de resíduos.
Considerando isso, os alunos pesquisarão e praias locais, coletarão resíduos marinhos, analisarão o consumo de microesferas e descobrirão soluções para melhorar a conscientização da comunidade e a implementação de medidas / soluções.
Oportunidades de colaboração com a comunidade
Os alunos entrarão em contato com a comunidade ao pesquisar nas praias locais e deverão coletar evidências relacionadas ao nível de consciência e hábitos de vida de suas famílias, vizinhos e membros da comunidade. Os estudantes também entrarão em contato com seus municípios para discutir, criar e compartilhar suas idéias sobre como resolver o problema, assim como para se inteirarem das acções que já são efetuadas. A etapa final deste projeto é a partilha das soluções com a comunidade.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
|
Educação de Qualidade
|
4.7 Até 2030, assegurar que todos os alunos adquirem os conhecimentos e competências necessários para promover o desenvolvimento sustentável (...). |
|
Consumo e Produção Responsável
|
12.2 Até 2030, alcançar a gestão sustentável e a utilização eficiente dos recursos naturais. 12.5 Até 2030, reduzir substancialmente a produção de resíduos através da prevenção, redução, reciclagem e da reutilização. 12.8 Até 2030, assegurar que as pessoas em toda a parte têm a informação necessária e a consciência para o desenvolvimento sustentável e para estilos de vida em harmonia com a natureza. |
|
A Vida debaixo de Água
|
14.1 Até 2025, prevenir e reduzir significativamente todos os tipos de poluição marinha, em particular a proveniente de atividades terrestres, incluindo os resíduos marinhos e a poluição por nutrientes. 14.2 Até 2020, gerir e proteger de forma sustentável os ecossistemas marinhos e costeiros a fim de evitar impactos adversos significativos, nomeadamente através do fortalecimento da sua resiliência, e tomar medidas para a sua recuperação, a fim de alcançar oceanos saudáveis e produtivos. |
Pesquisa e Inovação Responsáveis
Um dos aspectos principais do OSOS é a inclusão dos princípios do RRI - Responsible Research and Innovation - (RRI-Tools.eu). Este acelerador encaixa-se no modelo RRI da seguinte forma:
|
Governação |
Este acelerador é baseado num ponto chave fundamental, que é ensinar aos alunos o que é ciência e como fazer uma pesquisa científica válida e respeitosa. Destaca o fato de que a ciência precisa ser compartilhada para ser válida, precisa ser transparente e colaborativa, a fim de contribuir para o desenvolvimento de nossa sociedade. Neste projeto, os alunos refletem com a comunidade sobre o problema e co-criam possíveis soluções, compartilhando, no final, todo o seu trabalho, incluindo o processo de pesquisa. Além disso, os alunos compartilharão os seus resultados e conclusões com outras comunidades em todo o mundo e através da colaboração entre seus professores. |
|
Envolvimento público |
Os alunos entrevistarão pessoas da sua comunidade e instituições, enquato partes interessadas importantes, ou seja, especialistas no problema em que estão trabalhando. Depois de coletar os seus dados, os alunos discutirão com seus pais, outros membros da família, amigos, comunidade etc. sobre possíveis soluções eficazes e aplicáveis ao problema em suas comunidades. Toda a atividade se concentrará no envolvimento dos alunos com a comunidade, a fim de levar em consideração suas reais necessidades na resolução de um problema. |
|
Igualdade de género
|
A problemática envolvida neste projeto é transversal para todos os seres humanos no mundo, independentemente de seu género. Em nenhum momento, o sexo dos alunos será solicitado ou relevante. Sobre os recursos criados para os professores, aconselha-se a fim de proporcionar igualdade de oportunidades, não apenas para ambos os sexos, mas também entre todas as personalidades diferentes. Nas diretrizes dadas aos alunos, é feito um esforço para usar os modelos masculinos e femininos como inspiração, bem como ícones e indivíduos masculinos e femininos nas figuras. Os professores também são aconselhados a encontrar especialistas de todos os sexos e convidá-los a trabalhar com seus alunos. |
|
Educação das ciências |
Os alunos participarão de atividades baseadas em perguntas que os conduzirão através do método científico e do raciocínio. Espera-se que, após a criação de seus projetos, os alunos tenham entendido o que é ciência e como o conhecimento científico pode ser obtido e comunicado. Ao trabalhar com a comunidade e compartilhar seu trabalho no final, os alunos levarão educação científica para sua comunidade, além de conscientização para questões científicas importantes. |
|
Ética |
Durante o projeto, os alunos entenderão que cooperar e colaborar é um esforço muito mais valioso do que competir, e que o conhecimento e as boas idéias devem ser usados de maneira ética e compartilhados com outras pessoas. Quando em colaboração, os cientistas podem superar quase todos os obstáculos e fornecer o que é necessário para uma sociedade segura, em desenvolvimento e em crescimento. |
|
Livre acesso |
Depois de terminar a pesquisa, os alunos compartilharão todo o seu trabalho com a comunidade, fornecendo um acesso totalmente aberto aos seus dados e conclusões. |
להרגיש
Numa praia local e numa área predeterminada, os alunos vão investigar e recolher todo o lixo que encontrarem. Depois disso, os alunos vão separar os diferentes tipos de resíduos, vão identificá-los e verificar qual o tipo de lixo predominante. Depois de verificarem qual é o principal resíduo marinho, os alunos vão investigar a sua origem e tentar encontrar soluções para reduzir a sua presença na praia.
1.1 - Geografia Pessoal sobre a origem, os tipos e as causas do lixo marinho
Os alunos vão fazer um desenho sobre uma praia ou uma zona balnear.
Começar-se-á por lançar aos alunos um desafio para criarem um mapa de ideias, tendo por base o esquema de “Uma colmeia”.
1.2 - Conferência sobre a origem, os tipos e as causas do lixo marinho
Será convidada uma técnica especializada para falar, explicar e sensibilizar os alunos para as causas e consequências do lixo marinho, não só na fauna e flora marítima, mas também na qualidade de vida das pessoas que frequentam as zonas balneares.
1.3 - Brainstorming sobre a origem, os tipos e as causas do lixo marinho
Os alunos vão investigar sobre a poluição marinha, as causas e as consequências e devem saber responder a perguntas, tais como:
- Como é que a poluição marinha afeta a saúde humana e a qualidade dos ecossistemas marinhos?
- Qual é a origem do lixo marinho? Como é que acaba no mar?
- Que tipos de resíduos aparecem no mar?
- Como aparecem os microplásticos e as microesferas no mar e nas zonas costeiras?
- Quanto tempo leva o lixo marinho a degradar-se no mar?
- Porque é que alternativas ecológicas aos plásticos de origem fóssil causaram impacto nos últimos anos?
1.4 - Geografia Pessoal sobre a origem, os tipos e as causas do lixo marinho (2ª fase)
Os alunos vão completar o desenho sobre a praia/ zona balnear e acrescentar ao tema a poluição marinha, as causas e suas as consequências.
Começar-se-á por solicitar aos alunos que acrescentem novas ideias (com caneta de cor diferente) ao mapa de ideias realizado anteriormente.
2 - Proposta de investigação para tratar dessas questões

Para esta atividade, os alunos vão utilizar uma ferramenta para a recolha dos dados do lixo marinho. Esta ferramenta foi criada para gerar dados, de acordo com uma metodologia padrão.
O Programa de Monitorização do Lixo Marinho nas praias é uma das ações desenvolvidas para dar resposta à Diretiva-Quadro da Estratégia Marinha e aos compromissos assumidos por Portugal no âmbito da Convenção OSPAR (Estratégia Ambiental do Atlântico Nordeste).
Os alunos vão organizar e participar numa campanha de sensibilização sobre o lixo marinho. Vão recolher, registar e monitorizar o lixo encontrado na praia, vão identificar os resíduos mais frequentes, bem como as suas origens e os seus impactos, vão refletir sobre formas de os reduzir.
As campanhas de avaliação de resíduos/lixos costeiros são a principal ferramenta de monitorização do lixo acumulado em ambiente marinho e têm sido utilizadas em todo o mundo para quantificar e classificar a poluição por lixo marinho.
Material necessário: sacos para a recolha do lixo, luvas, pinças, crivos e ancinhos.
Metodologia:
Limpeza da praia e recolha de lixo
- Identificação de pontos de referência.
- Tendo em atenção a dimensão das praias nos concelhos que estão a abordar o tema, a unidade de amostragem é toda a zona da praia entre o limite da água e o fundo da praia durante a maré baixa em data a definir;
Identificação de todo o lixo marinho, inclusive objetos superiores a 50 cm (os alunos devem identificar, pesar e classificar o tipo de lixo recolhido)
Recolher, contar e classificar
Após a limpeza da praia, os alunos vão recolher, contar e dividir em categorias o lixo recolhido, seguindo os procedimentos da OSPAR. Os resultados recolhidos deverão ser representados através de gráficos e de histogramas.
Os gráficos vão ser utilizados para aprofundar o conhecimento sobre os resíduos que mais frequentemente são recolhidos e a sua origem. O lixo marinho deve ser avaliado tendo em consideração as seguintes variáveis: quantidade de resíduos recolhidos em kg; tipo de resíduos. A atividade deverá apresentar conclusões objetivas sobre as causas da poluição marinha identificadas na pesquisa.
3 – Partilha de resultadas entre concelhos vizinhos
Os alunos da EBS Armando Côrtes-Rodrigues, de Vila Franca do Campo, e da Escola Secundária da Lagoa irão partilhar os dados recolhidos através de vídeos, apresentações on-line, de redes sociais, páginas web ou plataformas informáticas.
Manutenção do registo
Durante o processo, os alunos devem registar todos os detalhes da sua pesquisa e fazerem o registo fotográfico e pequenos vídeos da atividade.
Os alunos devem manter o registo do seu trabalho atualizado no seu projeto OSOS, incluindo imagens de todo o processo e print screens dos gráficos mais relevantes, mapas, etc, em páginas wb e em eventuais redes sociais.
לדמיין
Pensar em soluções
Após a amostragem da praia local, os alunos estão agora cientes das principais fontes de lixo marinho e da poluição das praias. Sabendo isso, os alunos devem começar a fazer um brainstorming sobre como podem atingir a principal fonte de poluição e o que podem fazer para melhorar o problema.
Contato com a comunidade
Os alunos vão contactar com os seus familiares, vizinhos e membros da comunidade em geral e perguntar-lhes sobre os seus hábitos e estilos de vida e aprenderem sobre o que mudariam para proteger a fauna e flora marinha, bem como a sua própria saúde.
Será solicitada à Câmara Municipal, de cada um dos concelhos, uma audiência para averiguar que medidas já estão a ser implementadas, que medidas poderiam ser implementadas, mas que a Câmara Municipal não consegue por falta de recursos ou de colaboração da população…
Ainda com a Câmara municipal, os alunos irão articular o destino a dar à recolha dos resíduos recolhidos nas praias de areia ou de calhau (Poços da Atalhada).
Desing Thinking
Design thinking tem a ver com o olhar para um problema específico numa comunidade específica e criar soluções específicas para esse problema nessa comunidade. Isto significa que os alunos não devem pensar apenas em formas possíveis de resolver um problema geral. Os alunos precisam de comunicar e contactar com a sua comunidade, aprender as suas características e particularidades e encontrar soluções que sejam eficazes e que visem as necessidades da sua comunidade e a vontade de mudar. Não há utilidade numa solução se ninguém a colocar em prática. Assim, os alunos não só precisam de criar uma solução ponderada (ou um conjunto de soluções), mas também têm de pensar numa estratégia holística para aumentar a consciencialização e convencer as pessoas de que a sua solução é importante e prática.
Apresentação de Soluções
Cada escola deverá elaborar uma lista, com todas as soluções apresentadas, sem exceção, da mais simples à mais elaborada, da mais obvia à mais absurda, e partilhar com todos os alunos envolvidos no projeto.
יצירה
Depois de apresentar as suas soluções mais criativas para a sua comunidade, os alunos devem propor um conjunto de atividades (tais como debates e exposições, ações de sensibilização, etc.), com o objetivo de consolidar os conhecimentos adquiridos e de partilhá-los com a sua comunidade, treinando competências como a comunicação, colaboração, resolução de problemas e liderança, entre outras.
Aqui, os alunos vão decidir como vão fazer a mudança, deixando um legado à sua comunidade.
Gamificação, consolidação e comunicação
Os alunos devem pensar em como vão partilhar o seu trabalho e os novos conhecimentos com a sua comunidade. Aqui, podem usar a sua imaginação e apresentar as suas próprias ideias.
Algumas sugestões são:
Uma exposição com os resíduos recolhidos ou uma exposição fotográfica sobre limpeza de praias;

Ações de sensibilização junto da população, uma campanha de pequenos vídeos, partilha na internet, etc.



